13 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Quantos argumentos são necessários para me convencer?

O que é que aconteceu? Pisquei os olhos e passaram-se três meses desde que recebi este texto.
Tenho de admitir que não tem sido nada fácil no café, e que a minha organização está um bocadinho… hmm… como é que eu digo isto de forma simples… desorganizada. Mas aqui estou eu, três meses depois, a tentar recuperar o atraso em quase tudo. Ainda há uma montanha de trabalho pela frente, mas há de chegar o dia em que atinjo o cume, com a cara suada e traumatizada de uma aventura demasiado pouco interessante, se quiserem saber a minha opinião.
Enfim, deixo-vos com a Janaina.
Quantos argumentos são necessários para me convencer?
Atendendo ao convite/convocação do Mathieu na última edição da newsletter, resolvi escrever este texto para contar a ele, e a você, algo que ainda não havia contado: como eu conheci o café livraria, há exatamente um ano.
Eu tinha acabado de voltar do Brasil depois das minhas longas férias. Longas, mas não suficientes. Nunca são.
Naquele dia, estava acontecendo um evento na Praça do Peixe que, para ser honesta, não foi marcante o suficiente para permanecer na minha memória. Lembro mais das conversas do que do evento em si. Eu caminhava com duas amigas, colocando o papo em dia, contando das férias, tentando retomar o ritmo da vida por aqui, enquanto elas me atualizavam sobre as novidades de Aveiro.
Foi então que, com um entusiasmo quase conspiratório, disseram:
“Ahhh, inaugurou uma livraria-café nova que é a sua cara.”
Para me convencer a abandonar o evento meio sem graça e atravessar a cidade, usaram três argumentos muito bem pensados.
Conhecendo a minha vibe; disseram que o ambiente era calmo.
Sabendo que eu não bebo café; garantiram que havia infusões diferentes e gostosas.
Não vou revelar qual dos argumentos me convenceu. Mas encontrei aqui, na minha galeria de fotos, a prova de que naquele dia fui verificar, com bastante seriedade, cada um deles.
Na semana passada, durante a comemoração do primeiro aniversário do PEF, me peguei pensando no privilégio que é ter um lugar assim na cidade, que não é apenas um café, não é apenas uma livraria e nem apenas um lugar de eventos. É um lugar de encontrar pessoas e de pausar. Só quem frequenta sabe como se sai mais leve e desacelerado de lá.
O que eu sei é que, desde aquele primeiro dia, não deixei mais de frequentar o meu cantinho favorito em Aveiro.
E, quando me perguntam qual é o melhor lugar da cidade para ter um bom momento, seja sozinho, com amigos, para trabalhar, para ler um pouco ou simplesmente desopilar a mente, é esse o lugar que eu indico. Sempre.
Fora que o menu tem cada dia mais delícias, já viram as últimas novidades? Aproveito, inclusive, para deixar aqui os meus pedidos preferidos no café:
Infusão de maçã, ananás e coco
(já disse, mais de uma vez, que essa infusão deveria ser batizada com o meu nome, de tanto que eu a recomendo)
Cookie de chocolate com avelã
* Leite dourado
* Tosta de queijo na versão 100% vegan
Agora, um ano depois, sigo percebendo, cada vez mais, a importância de ter um lugar assim para fugirmos da correria e da pressa que, às vezes, toma conta dos nossos dias. Mathieu é resistência pura por manter um lugar que vai na contramão do funcionamento atual de tudo. E a maior forma de gratidão que podemos ter para com essa resistência, é frequentar o café, comprar livros e divulgar o espaço. Ainda mais com esse calendário de eventos que não para de crescer. É uma ideia melhor do que a outra. Se deixar, eu levo o meu saco-cama e fico por lá todos os dias.
Aliás, enquanto escrevia isso, tive uma ideia.
E se a gente levasse um saco-cama para lá e simplesmente ficasse a semana inteira, vivendo um evento atrás do outro, como quem faz uma pequena temporada fora da rotina?
Melhor parar por aqui antes que o Mathieu me demita da função de colunista por dar uma ideia que vai prendê-lo ainda mais dentro do café.
É isso. Nos vemos no PEF.
Beijo beijo,
Janaina Bacha
Psicóloga e mediadora de conexões humanas pelas artes e suas narrativas.
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